sábado, 9 de junho de 2012

Como Òsún ganhou o título de protetora das crianças

Òrúnmìlà, òrìsà da sabedoria e da adivinhação, foi o primeiro esposo de Òsún. Um relato do odu, um dos 256 signos do sistema de Ifá, conta que  deu a Òrúnmìlà ela 16 búzios como presente de núpcias, ainda hoje usados pelos sacerdotes de  Òsún para se comunicarem com o Òrún em favor de seus seguidores.  Òrúnmìlà também permitiu à bela Òsún que fosse cultuada no mesmo dia que ele.
Infelizmente, Òsún não ficou grávida durante o casamento. De acordo com as tradições africanas, tal fato é uma desgraça, pois filhos é a prioridade de todo casal. Já aflita com a situação, ela resolveu dar a seu marido o direito de ter filhos e, relutantemente, deixou Òrúnmìlà.
Nove meses depois, Òsún conheceu seu segundo esposo: Osoosì. Os dois descobriram instantaneamente que suas personalidades se completavam, e foram muito felizes como marido e mulher. Entretanto, sua adoração um pelo outro não remediou a incapacidade de Òsún em conceber filhos de seu novo marido. Muito desapontados, eles realizaram vários rituais, sem conseguir nenhum proveito. Mas Òsún não desistiu. Ela conversou com Osoosì e ambos concordaram que ela deveria voltar para o seu primeiro marido, o adivinho Òrúnmìlà pedindo que ele consultasse Ifá para apurar o que estava acontecendo.
Quando Òsún chegou à casa de Òrúnmìlà, ele ficou feliz em vê-La e foi imediatamente consultar Ifá. Òrúnmìlà assegurou a Òsún que esta história de não ter filhos iria logo terminar. Sua solução estava no palácio de Òrún, o mundo espiritual: era para lá que Òsún deveria viajar a fim de buscar sua cura. Sua esterilidade se transformaria em fertilidade, e Olodumaré, deus supremo, abriria as portas para as crianças virem ao mundo. O adivinho aconselhou Òsún a reunir os itens que haviam saído no jogo, para que se oferecesse um sacrifício especial em sua intenção. Assim foi feito
Quando se deu por conta, Òsún estava no Òrún escutando a voz de Olodumaré, que perguntou a ela qual a razão de estar ali. Òsún ficou atônita, e Olodumaré pediu que se acalmasse. Depois de oferecer a Òsún um lugar para se sentar, Ele começou a contar histórias de seres que vinham ao Òrún para fazer pedidos semelhantes, lembrando que as crianças do Òrún fugiam deles sem razão aparente.
Então Olodumaré abriu a porta de onde as crianças estavam. Era a visão mais linda que se poderia ter. Òsún olhou maravilhada para uma multidão de meninos e meninas, que corriam para cima e para baixo, em grande algazarra. Quando as crianças viram Òsún, correram em sua direção. Ela então lhes ofereceu doces, e assim mais e mais crianças aglomeravam-se ao seu redor. Todos foram seguindo Òsún, que se encaminhava para a divisa entre o Òrún (mundo espiritual) e o Àiyé (mundo material). Porém, logo que chegaram a este ponto, as crianças pararam abruptamente. Òsún deu às crianças as últimas gostosuras do pote no topo de sua cabeça e voltou para o mundo material.
Na sua chegada, entretanto, Òsún notou que as crianças não a haviam acompanhado e começou a chorar. Ela se debulhou em lágrimas.  
Òrúnmìlà aconselhou Òsún a não mais chorar, dando-lhe parabéns. Ele lhe contou que ela estava grávida e deveria parir logo. Òsún ficou grávida de três meses, outras mulheres estéreis também engravidaram. E, quando a gravidez atingiu o nono mês, nada podia segurar os recém-nascidos que vinham ao mundo. Òsún usou ainda seus segredos para baixar a febre de seus filhos.  Òrúnmìlà recomendou que as mulheres fizessem oferendas em favor de suas crianças e também de Òsún para demonstrar sua gratidão. 



Toda vez que estas oferendas são entregues, deve-se entoar uma cantiga cujo significado é: “Saudações à Grande Mãe; aquela que usa joias de bronze para acalmar a criança”.
Òsún passou a ser venerada na terra yoruba. Ela curou a febre de todas as crianças, que não tiveram nenhuma dificuldade desde então. Foi assim que Òsún ganhou o título de Irunmalé Olomowewê, divindade protetora das crianças.



sábado, 2 de junho de 2012

PÈRÈGÚN

PÈRÈGÚN, erva gún, uma das folhas mais antigas é o “Pèrègún”, que é utilizada na grande maioria dos rituais aos Òrìsás. Diz o mito: Pèrègún presenciou o crescimento da humanidade. Sempre há de nos trazer a sorte. Pèrègún segura nossa sorte, segura a sua presa no dia de caça... E assim... Alimenta os seus filhos. Pèrègún nos protege de nossos opositores... E faz com que nos harmonizemos com os nossos semelhantes... Pèrègún fez pacto com “Aje” para a sua vinda à Àiyé ( Terra ou o mundo físico, paralelo ao orun )... Ifá dissera, quando Pèrègún o procurava pela sorte Pèrègún, se você quiser ter sorte, deverá ajudar a humanidade, fazendo um pacto com “Aje”, para poder sempre ter e poder emanar sorte, para quem lhe procurar por sua ajuda. Foi então, que Pèrègún tinha feito pacto com “Aje” antes de vir ao mundo, mas não tinha quem o pudesse levar para Àiyé. Novamente foi a Ifá, e este dissera: Pèrègún se você quiser realizar o seu trabalho em Àiyé procure por “Ògún”, pois ele sempre está indo para Àiyé. Pèrègún procurou por “Ògún”, mas ele só levaria Pèrègún, se ele dividisse a sua sorte com ele. Foi então que Pèrègún tinha aceitado, e por essa razão “Ògún” lhe dissera: “Vou dizer a toda humanidade, que Pèrègún emana a sorte, e quem com ele ficar será agraciado com a mesma”. Desde e Pèrègún então foi conhecido, e muito procurado por todos em Àiyé.
Pèrègún alára gígún o
Pèrègún alára gígún o
Oba kò ní jé o roró okán
Pèrègún alára gígún o
Pèrègún gbà agbára tuntun


Pèrègún tem o corpo excitado
Pèrègún tem o corpo excitado
Rei não deixa ter problemas de coração
Pèrègún tem o corpo excitado
Pèrègún dá nova força
PÈRÈGÚN NÍ Í PE IRÚNMOLÈ L’ÁT’ÒDE ÒRUN W’ÁYÉ! (É Pèrègún que chama os espíritos do além para a terra!)
PÈRÈGÚN WÁ LO RÈÉ PE AJÉ TÈMI WÁ L’ÁT’ÒDE ÒRUN!
(Pèrègún, agora vá e chame minhas riquezas do além!)
Nesta preparação encontramos referência a uma folha, conhecida pela maioria de nós: o Pèrègún, cujo nome é a contração do verbo “PÈ”, que significa chamar, com a palavra “EGÚN”, que significa espírito, ancestral, etc. Percebe-se então que esta folha tem a finalidade de “chamar (invocar) espíritos”, e que a própria pronúncia de seu nome já funciona como um ofò!. A sabedoria daqueles nossos ancestrais yorubanos que a elaboraram fez esse trocadilho: se Pèrègún pode chamar espíritos, pode chamar a riqueza!
Para algumas pessoas, principalmente para aquelas que não estão ligadas aos cultos de matriz africana, pode parecer um tanto “primitivo” pensar dessa maneira, digo, esperar resultados a partir da utilização de certas plantas, de sementes, etc., enfim de elementos da natureza, aparentemente inanimados. No entanto, repetimos, existe por traz da utilização desses elementos uma questão cultural. Eles se utilizam desses elementos da natureza acreditando que eles expressam as suas necessidades perante o “Criador”, o destino final de seus pedidos: “…Uma composição mágica parece ser considerada como uma coleção de coisas materiais, às quais é dado um valor simbólico; juntas constituem uma mensagem…” (Ewé, Pierre Verger, 1995)

Asé.

domingo, 20 de maio de 2012

ERVAS I

ÈGÙNMÒ (Erva Moura)
Usada na iniciação dos filhos de Obaluaiyé e Nàná e, na consagração de seus objetos rituais e sacudimentos.
Planta consagrada a Obaluaiyé, associada ao elemento Terra. Propriedade gún e característica masculina.
ÈGÉLE (Erva de Santa Luzia)
Esta planta é atribuída a Òsun e utilizada em banhos purificatórios e no àgbo ou simplesmente abô, Água Sagrada (denominar a mistura de folhas sagradas) Tem a finalidade de atrair prosperidade.
As folhas são considerada gún.
ÈGÉ (Mandioca)

Com a farinha de mandioca, prepara-se o padé (diversos tipos de farofas) que é indispensável nas oferendas aos Òrìsàs. O ebá,(pirão de farinha de mandioca ou inhame) serve para forrar a gamela onde é colocado o amalá oferecido a Sàngó.
As bolas de farinha feitas com dendê ou água são com frequência utilizada em ebó para Èsú.
As bolas de farinha com água e, com um pequeno pedaço de carvão vegetal encima, são oferecidas para Égún. Com a raiz se faz trabalho para Òsàlá acalmar alguém.
“A raiz da mandioca que possui uma forma alongada está associada à Èsú, e assim como as folhas, são masculinas”. É um vegetal gún associado ao elemento Fogo

EFÍNRÍN PUPA (Manjericão Roxo)

Esta planta atrai bem estar, fartura e prosperidade.
Usada no Abo e em banhos para prosperidade. Está associada à Sàngó e Òsàgiyán.
DÀGÌRÌ DOBO (Dama da Noite)
Tem a função de facilitar o transe, tirar a consciência mediúnica e acalmar o ori do iniciado. Está associada a Òsàlá e Yemonjá por isto é utilizada para todos os Òrìsàs.
BÒTÚJÈ PUPA (Pinhão-Roxo)
Os galhos são usados em sacudimentos e para rezar pessoas. As folhas são empregadas em banhos específicos para pessoas de Ògún, e Oyá.
Folha com característica gún.
ARÚN SÁNSÁN (Erva de São João)

Usada nos fundamentos de iniciação das pessoas de Sàngó, e por extensão para todos os Òrìsàs do fogo. Entra no àgba, banhos de defesa, sacudimentos e trabalhos de proteção. Considerada como uma folha de defesa e proteção. Tem a função de cortar maldições e feitiços.
Características masculinas e gún, ligada ao compartimento Fogo.
APÈJÈ (Dormideira)

Utilizada em trabalhos com Oyá e Èsú, e no preparo de atin (pó) com a finalidade de afastar de casa pessoas inconvenientes.
Seu nome (apèjè) significa “Matando o sangue”
ÀLÙBÓSÀ (Cebola)

A cebola branca é utilizada para temperar as comidas de todos os Òrìsàs e a roxa costuma ser usada para Èsú. O bulbo é oferecido ao Orí (cabeça) com a função de acalmar e dar tranquilidade as pessoas que se encontram muito agitadas ou com algum tipo de perturbação na mente.
Funciona como oráculo em substituição ao obí por ocasião de oferendas ou sacrifícios.
Ligada ao elemento Água, embora suas folhas tenham forma masculina, considera-se o seu bulbo que é feminino e eró.

Folha para banhos, sacudimento e trabalhos diversos. Folha usada para Yemonjá (de flor branca) e para Oyá (de flor rosa) Seu nome significa “Pequeno chapéu”
ABERE OLOKO (Picão da Praia)
Usada para assentar Èsú, no preparo de pós (Atin) com finalidade maléfica. Folha gún (excitante). Seu nome nagô significa “agulha do campo” devido o formato de suas sementes. Usada medicinalmente para combater hepatite e icterícia.

AKÒKO (acocô)

Nos rituais de iniciação, no àgbo, em banhos para todos os iniciados, sacralização dos objetos rituais dos Òrìsàs e para lavar o jogo de búzios.
O akòko tem a função de concretizar os trabalhos feitos e serve para coroar obrigações e assentamentos. É uma folha associada à realeza daí ser chamada de "a folha dos reis".
Espalhadas no chão do barracão em dia de festa, atrai prosperidade.
A árvore é decorada com uma faixa de tecido branco (Öjá) por ser considerada sagrada. Segundo a tradição yorubá seu tronco não pode ser ferido por machado, faca ou objetos de ferro. É utilizadas para todos os Òrìsàs.

ABÀFÉ (Pata de Vaca)

terça-feira, 15 de maio de 2012

OFÓ - Palavras de poder

Ofós são as rezas para Òsányìn com a intenção de despertar o asé contido nas folhas e esse ritual pode ser cantado em vários momentos do culto à òrìsà. Esse ritual tem sequencia, e cada folha tem seu Ofó cantado e relacionado aos òrìsàs correspondentes. Pode-se observar, às vezes, que nem todas as espécies de folhas cantadas se encontram presentes no momento do ritual. Porém, o fato de louvá-las faz com que as suas substitutas exerçam o mesmo papel. O uso mágico das folhas na religião yòrubá sempre vem acompanhado de expressões de encantamentos que visam despertar o àse das folhas utilizadas. Palavra falada que se acredita possuidora de força mágica ou capaz de produzir efeitos mágicos, Estes encantamentos são chamados ofó.
Ofó é um aspecto oral de magia Africana, que requer proferindo palavras, uma falha menor em reditar pode renderizar um ófò ineficaz. Ofó são usados ​​em esfera, quase cada de atividade boa, uma para a proteção contra forças do mal ou, a fim de alcançar o sucesso. Baseado em critérios funcionais
OFÓ  -  Forca da palavra:
Oríkì (do yorùbá, orí = cabeça, kì = saudar) são versos, frases ou poemas que são formados para saudar o orixá. Se um oríkì não conseguiu alcançar o efeito desejado, às vezes é necessário elevar o nível de ASÉ chamando o Òrìsà por um nome de louvor. Os nomes de Elogios são chamados asé ofó em yorùbá, que significa "palavras de poder".
 ofó iba para o pagamento de homenagem
 ofó afose para a tomada de o que é dito acontecer
 ofó aforan para escapar de infortúnios
 ofó afero para atrair clientes
 ofó Aparo para contrariar veneno
 ofó arobi para expurga calamidades
 ofó awure para a sorte boa
 ofó isoye para ativar memória
 ofó maadarikan para a auto defesa

Ofó Ase Osun

Osun-oyeyeni-mo
Espírito do rio está cheio de compreensão
Amo-awoma-ro
Espírito que não revela seus mistérios
Ore yeye
mãe Clemente
Yeye-onikii-Obalodo
Graciosa mãe, a rainha do rio.